po(e)st(ma)s

nada de mais. por mais pretensioso que isso possa parecer...

24.3.06

“coisa mais besta”

I

não tenho
a mínima
vergonha

na cara

de te pedir
assim
um beijo

na boca


II

acho

que já estou
completamente
apaixonado

o problema
vai ser
apenas

te achar


III

daqui
pra frente

prometo
que não
olho mais

pra trás

sem você
do lado

23.3.06

“casulo”

virado pra mim
era que eu olhava
o mundo

e escrevia
por dentro
dos meus olhos

o que achava
que era
certo
sem ver
pra saber

até o lápis
furar a tela

e tudo
se desnovelar
em verdade

tudo esquisito
e novo
e mesmo:

quando
me mostrei
ninguém
viu

14.3.06

“artesanato”

(hoje, assim como todos os outros dias, é dia da poesia)


linha por linha
tranço
tramas
que não vão
dar em lugar
nenhum
além das
minhas mãos

o destino
não precisa
ser outro
e não poderia
ser melhor

dedos são
hábeis
tradutores
dos meus
de dentro

e não há
como fugir
dos riscos
do papel
pautado

só andando
por cima
da corda bamba
de cada linha

5.3.06

“meu tempo é outro”

não pude
me entender
quando nasci

quis me chamar
estilhaço
por vir de
explosão

mas aprendi
que no fogo
tenho lar
verdadeiro

hoje sei
do lugar
que ocupo
mesmo sem
querer

e aceito
o peso
de me saber
vento
em terra
de moinhos
quebrados

já me feri
por buscar
em outros olhos
reflexos
de um eu
intuído

agora me tornei
espelho de mim
mesmo

em outras
eras solitário
deserto,
hoje rio
abraçado comigo:

meus vôos
mais altos
ainda nem
comecei
a ensaiar