po(e)st(ma)s

nada de mais. por mais pretensioso que isso possa parecer...

27.1.06

“onda”

movimento
de água

sentido
de som na areia
sem sentido
de peso no vôo
de espuma

pulo por cima
de mil lascas
minerais

e afundo no
melisma
salgado
de um

mergulho

9.1.06

“arte também é isso”

juntando cacos de
subterfúgios

achei todas as
pistas falsas
esquecidas
pelo caminho

sobre textos
entre tramas
meta sentidos

palavras tratadas
a perder de vista
para perder à vista
tudo que não seja
estritamente indispensável
à nossa essencial
falta de significado

toda a fachada
do poema
é ameaçada
a cada leitura

toda a precária
arquitetura
equilibrada
apenas
em fé artística
(tão legítima
quanto qualquer
outra desculpa)

a qualquer momento
pode desmoronar
e os escombros
escolherão para si mesmos
novos e traiçoeiros
sentidos

5.1.06

“inauguração”

meus desejos
ainda são
muito complexos

por hora
só posso sonhar
com o dia em que

uma rima besta
baste