po(e)st(ma)s

nada de mais. por mais pretensioso que isso possa parecer...

22.11.05

“buraco-negro”

será
que lapsos
temporais
fazem o relógio
andar
pra frente?

quanto dura
o percurso
do início
ao fim
de um hiato
no espaço?

sala de espera
terra de ninguém

me faço
matéria
imaginada
num vácuo
de idéias

nenhum
pensamento
possível
sem mim

e eu
ausente

preso
nesse agora:
deserto
anti-instante

desde que nasci

16.11.05

“simples assim”

(pra apá)




profundidade
eu reconheço
quando só palavras
não são suficientes

esvaziam-se em
ecos perdidos
no escuro

até que chega
a música
para afinar
essa corda-bamba

e substituir
o medo de cair
pela vontade
de mergulhar

14.11.05

“ácida”

(ao som de ani difranco)



o traçado
solitário
das cordas de aço

arranha
os dedos:

soldar
entortar
encaixar

as palavras
num diário
de intimidades
ásperas

e partir

erguendo
a clava
do violão

para golpear
sem perdão

todo o
medíocre bom-senso
do mundo

7.11.05

“citações”

(pro eduarrrdo)



dois

homens
de poucas
palavras

daqueles

de silêncio
eloqüente

e dor elegante

a pausa não pesa
porque repleta

erudição é só
meio

caminho
andado

só não enche
o saco
de quem entende

que falando
por entrelinhas
a gente se acha

e vive se perdendo

“a sombra de peter pan”

como provar
que
existo

se já nem
no chão
grafito

minha
pessoal
e intransferível
marca
de corpo presente
?

desaprendi
minha assinatura

não estou mais
aqui

rasguei
o passaporte
cancelando
a viagem perdida

em busca
de uma identidade
que não
pode ser
costurada
de volta