po(e)st(ma)s

nada de mais. por mais pretensioso que isso possa parecer...

26.8.05

“sentidos”

na falta de placas
me oriento
por palavras
e contextos

minha bússola
mutante
se não ajuda
na indicação
permite brincar
com o caminho

aproveito
o que eu falei
lá atrás
e quem quiser
que me ache
nessa reciclagem

pois
finalmente descobri
o que eu queria
ter dito
e disse...

provo o vento

na ponta da língua
o canto
de um toque
que me fez enxergar
além:

tudo aponta
pra frente

“escolhas”

em tempo
de vento solto
voam cabelos
e versos

extraviados
pelo ar

vou tentando
recolher
com a pressa
possível

mas sempre
me distraio

e troco a tarefa
pela paisagem:

mais vale
o mar em frente
que uns poemas
irremediavelmente

perdidos

“intenção”

o que quero
dizer
é o que quero
dizer

preciso
vomitar tudo
antes
para que
as palavras
ruminem
seus
próprios
significados
no papel

nada quero
dizer
com o que
sai escrito

nada disso
me pertence

digo o que quero
dizer
consciente da
responsabilidade
que me
chamo

no fim da linha
leia-se
o que consigo
dizer

com estes
poemas

16.8.05

“inspirações”

escrita escassa
não é sinônimo
de falta de assunto

tristeza
às vezes
é mais fácil
de traduzir em letra

mas isso
não tenho
pressa de sentir
tão cedo.


perdão
pela ausência
de versos

por enquanto,

uma borboleta
que passa
é só
uma borboleta
que passa


e passou...