po(e)st(ma)s

nada de mais. por mais pretensioso que isso possa parecer...

30.7.05

“mãos”

é tateando
que se descobre
o mundo

fronteiras
ampliadas
a cada toque

o que
se intui
vira certeza
pelo tato

e nos seguramos
nessas evidências

as palmas
são chaves
nas
linhas a traduzir

e instrumentos
para decifrar
nos outros
um pouco de
nós mesmos

25.7.05

“aqui dentro”

tenho sorte.

meus pertos
têm endereço
certo

na estimação
dos valores
a que me apego

faço questão
de ter
e ser
cuidado

manutenção
necessária
ao fino
e firme
fio
resistente
à distância
e ao
tempo

meus pertos
eu sei onde
encontrar

mas outros
novos
nunca deixarão
de ser

bem-vindos

13.7.05

“caminho”

penso
se existe
uma minha
estrada

se construída
por mim
ou simplesmente
achada

no escuro,
vou
andando
sem idéia
de onde
apoiar
o próximo
passo

(mas sempre
pisando
firme)

às vezes
chego
a duvidar
de mim mesmo

acho que
é por aí

a intuição diz que sim

o coração às vezes
titubeia

no meio
dos dois
balança a minha via:

ponte de ar
sobre o nada

8.7.05

“mundo maluco esse”

tudo acontece de improviso
por mais que a gente ensaie