po(e)st(ma)s

nada de mais. por mais pretensioso que isso possa parecer...

25.6.05

“água de janeiro”

meu eu
sintético

escreve
de conta gotas
resumindo
argumentos
e suprimindo
linhas

muitas páginas
pra sair
são dor
de prisão
de ventre

diagnóstico:
constipação
textual
por motivos
de individualidade
estilística

24.6.05

“do medo do escuro”

voltei a dormir
de luz acesa

adio o fechar
dos olhos
até onde posso

(quase sempre
às primeiras
claridades
da manhã)

como que
para compensar
num arrependimento
tardio
o dia mal vivido

e prolongar
o hiato

até a volta
das mesmas
tarefas pedindo
realização

retomada
da mesma vida
carente de
resolução

vem o cansaço
mas nunca
o sono

23.6.05

“tratado”

da filosofia
vazia
que se desfia
a cada queda

não sobra
nada
que não se
possa
trincar nos dentes

15.6.05

“nadadoquefoiserá”

mesmo que
tudo
pareça
fora do lugar

sempre
vai existir
o mar

a me lembrar
pelo cheiro

que não há
razão
para as coisas
não serem

simples

14.6.05

“inconforme”


setting the world on fire
(julie speed)



se é verdade
que não fomos
feitos
para a felicidade

falará mais alto
a rebeldia
que não aceita
a própria
natureza

e luta
até o fim

sabendo
que vai
perder

11.6.05

“hora do rush”

em tempos
de trânsito
caótico

todas as rotas
são de

fuga

8.6.05

“falta de ar”

enquanto
durar a vida
nunca chegará
o momento
em que tudo
foi dito

em certas
horas
só nos resta
chorar
para não
derramar
o que ainda
resta do leite

quando
o maior sintoma
de nossa crônica
doença de humanos
é um sufoco
provocado
pela frase
“eu te amo”
presa no meio
da garganta

a cura
é uma questão
de vida

ou de
rendição precoce
ao inexorável
fim


da conversa

6.6.05

“o abraço imaginário”

queria
te encontrar
pela rua

por acaso

e então
amarrar
essa distância
difícil
e cheia
de motivos
num enlace

te apertar
cada vez mais
junto
até que tudo
sumisse
e somente
eu sobrasse
em meus
próprios braços

finalmente
em paz
comigo

5.6.05

“verde”

(pra ci)


não tenho experiência
com ausências definitivas assim

hoje sinto uma falta diferente

certo ciúme adolescente
de amigo negligenciado
que não ganha um telefonema

sinto falta de notícias
como se continuasse
a nos separar
apenas a distância geográfica
que sabíamos tão bem
transcender

ainda não sei avaliar
a evolução disso em mim

amareleceu a saudade
em um ramo de dúvidas
desbotadas

faço força para tentar entender
e resgatar qualquer coisa
que possa ter se perdido
no processo

vem forte uma curiosidade
de conhecer a pessoa
que você seria hoje
se não tivesse partido

na certa apareceria com ainda mais surpresas
que as de sempre

incrível como as perguntas
vão se respondendo
a cada linha

tão natural
quanto nossas conversas

amadureceu a saudade
no gosto antigo
da fruta dessa amizade

te amo
sempre

“sombrio”

ando triste.

os problemas
são os
mesmos

nada de novo
nada de mais

como sempre
sobro de algos
que me faltam

repito meus
mantras
habituais

que
por alguma
razão
não estão
me convencendo
mais

preciso
recuperar
minha crença
no futuro

3.6.05

“queer fish in that atmosphere”


virginia by vanessa



let us spend
a day
or two
amongst
the painted
crafts
in charleston

Nessa said
she would
buy the flowers
herself

these parties...

some people
turn one´s
nerves
to fiddle-strings

the skeleton
of habit
alone
upholds
my frail
human
frame

for a moment
there
it seemed
a silly, silly
dream
being unhappy

as for me,
just
let me write

1.6.05

“megafone”

não sei
se adianta
gritar

não sei
o que
(nem se)
quero
gritar

mas mesmo
que você
estivesse
muito longe

ainda ouviria
meu grito