po(e)st(ma)s

nada de mais. por mais pretensioso que isso possa parecer...

21.4.05

“teima”

queria falar
de felicidade...

daquela alegria
cansada
de criança
que já brincou
tudo que podia

mas responsabilidades
bem crescidas
me puxam pro chão

de cantar desafinado
sem vergonha
na frente
de quem você sabe
que não se importa
e até acha graça

mas a realidade esculhambada
joga seu peso
aqui dentro
cheia de coisas por consertar

de falar besteira
e rir muito
sem absolutamente
nenhum motivo

mas o alarme
vai tocar amanhã
bem cedo

no fim das contas
aparece um fio de vontade
de não querer nada disso

mas não ligo pra ele

19.4.05

“entressafra de certezas”

da minha janela
vejo poucas outras

poucas luzes
desse lado
ainda calmo
da cidade

mas
quando olho
em noites
como essa

parecem
luzes demais

coisas demais
acontecendo
ao mesmo tempo

do alto
do meu sentimento
de deslocamento
desejo saber
qual dessas
muitas coisas
me cabe fazer

é bom achar
que se sabe,
mas fugaz
quando acontece

agora mesmo
foi embora:

estou órfão
de uma identidade
que não se sabia

passageira

18.4.05

"pra meio entendedor..."

nenhuma palavra basta

12.4.05

"gato"

a melhor maneira
de chegar a outra pessoa
é esticar-se

por cima do lençol
sofá
ou tapete

criando a ponte
de pele
necessária
ao fluxo de
sensações

e aproveitando
para se livrar
dos últimos
bocejos
desnecessários

depois percurso de língua
numas lambidas
e pronto

o salto está completo

só um leve
movimento de cauda
sem olhar para trás:

miau

5.4.05

"nômade"

cheguei
de longe
há pouco

sinto a areia estranha
de uma terra que não é
a minha
pela primeira vez

quando parei
olhei para mim:

os pés juntos
leves de medo
de afundar em
raiz

as mãos abraçavam
os panos de viagem

a cabeça
já pensava em um
novo longe


migrei


andança sem fuga
marcha de quem nasceu
estrangeiro